
Há muito que a bancada está cheia;
Aguarda-se com ansiedade na plateia,
Agitação e o antecipado deleite
Que o lado negro da alma verte
Depois, entre aplausos enche-se a arena
O pomposo cavaleiro já acena
Sobre o dorso do cavalo troteante
Este duo guerreiro e imponente
Do outro lado da arena, entretanto
Também se vislumbra já a um canto
A diabólica e temível fera,
O inimigo deste cenário de guerra
Só uma das partes escolhe esta guerra
E o destemido cavaleiro lança-se à fera
Em gestos ágeis, do seu alto pedestal,
Mesmo sem o confronto agressivo do animal
E a cada galope, que grande feito
Enche o cavaleiro de orgulho seu peito...
De um lado aplausos e incentivos
Do outro o sangue e os gemidos
A inteligência do Homem contra a força do animal
Uma frase infeliz para uma verdade brutal
Era da fera o sangue a jorrar...
Era sua pele que se estava a trespassar...
Mas tudo é relevado pela tradição
Que é a vida do touro à beira desta razão?
Espectáculos que a inteligência do Homem tece
Mancha de vergonha de um ser racional.